domingo, 11 de julho de 2010

José Saramago partiu do mundo dos vivos no dia 18 de Junho de 2010, mas as lições que nos deixou continuam bem vivas.



Eis algumas das suas 'lições' de/para a vida:
  • Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.
  • Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.
  • Por mais graves que os problemas sejam, jamais terão a gravidade da terra!
  • Só se nos detivermos a pensar nas pequenas coisas chegaremos a compreender as grandes.
  • Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória.
  • O silêncio ainda é o melhor aplauso.
  • A nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida.

sexta-feira, 9 de julho de 2010


Mesmo que a rota da minha vida me leve a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010



Passado, Presente, Futuro

Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.

Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.

José Saramago, in Os Poemas Possíveis

Doutor "honoris causa" 37 vezes


José Saramago foi distinguido 37 vezes, no espaço de 16 anos, com o doutoramento honoris causa (por motivo de honra, a título honroso) em várias universidades do globo.
A Universidade de Turim, em Itália, no ano de 1991 foi a primeira a distingui-lo, seguindo-se a de Sevilha em Espanha. As únicas universidades portuguesas que agraciaram Saramago com o título honoris causa foram a de Évora, em 1999, e a de Coimbra, em 2004.
Conheça as universidades que a título honroso atribuíram o doutoramento a José Saramago.

Quando me for deste mundo, partirão duas pessoas. Sairei, de mão dada, com essa criança que fui.

Foto: http://www.flickr.com/photos/FJSaramago


A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver.

terça-feira, 6 de julho de 2010

"O homem mais sábio que conheci..."

O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo.
Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. […] Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que accionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado.
[...]

Excerto do discurso de José Saramago proferido perante a Real Academia Sueca, a 7 de Dezembro de 1998
Imagem: Exposição "A Consistência dos Sonhos", Palácio da Ajuda, 2008